Orientações para credores em processos de Recuperação Judicial, Recuperação Extrajudicial e Falência.
Nos últimos anos, o Brasil registrou crescimento relevante dos pedidos de Recuperação Judicial, em um cenário de volatilidade econômica, restrição de crédito e juros elevados. Esse ambiente pressiona o caixa das empresas e aumenta o risco de inadimplemento na cadeia produtiva. Segundo dados da Serasa Experian, 2025 registrou 2.466 CNPJs em recuperação judicial, alta de 13% em relação a 2024.
Uma atuação passiva pode comprometer o recebimento do crédito
Em processos de insolvência, decisões relevantes ocorrem em marcos específicos e com prazos curtos. A ausência de acompanhamento técnico pode gerar:
- perda de prazos;
- crédito listado em valor incorreto;
- classificação inadequada;
- falta de reação ao Plano de Recuperação;
- menor previsibilidade de recebimento.
1. Verifique se o crédito foi corretamente listado:
A conferência inicial é essencial para evitar prejuízos logo nas primeiras etapas do processo. O primeiro passo é conferir:
- valor arrolado;
- classificação do crédito;
- documentos comprobatórios;
- existência de garantias;
- necessidade de habilitação, divergência ou retificação.
2. Análise técnica do Plano de Recuperação
A análise técnica permite avaliar riscos, impactos financeiros e eventual necessidade de objeção ou negociação. O Plano de Recuperação pode prever:
- deságio;
- prazo de carência;
- parcelamento;
- condições distintas por classe;
- alternativas de pagamento.
3. Participe das deliberações de forma estratégica
A Assembleia Geral de Credores pode definir condições relevantes para o recebimento do crédito. Por isso, é importante que o credor avalie previamente:
- cenário de aprovação ou rejeição do plano;
- impacto do voto;
- alternativas dentro da classe;
- possibilidade de negociação;
- riscos de cada decisão.
4. Acompanhe o cumprimento do plano e dos pagamentos
A atuação do credor não se encerra com a aprovação do plano e um acompanhamento ativo permite reação adequada diante de possíveis irregularidades. É necessário acompanhar:
- cumprimento das diretrizes aprovadas;
- prazos de carência;
- início dos pagamentos;
- parcelas;
- atualização do crédito;
- eventuais descumprimentos.
A atuação técnica e proativa contribui para maior segurança, melhor tomada de decisão e mitigação de prejuízos.
O método CORE reúne uma análise técnica do Crédito, Otimização das medidas jurídicas, plano de ação com foco na Recuperação do crédito e Estratégia alinhada ao interesse do credor.